Faturar bem não é o mesmo que lucrar. Muitas lojas passam o mês com o caixa movimentado, pagam todas as contas e, no fim, não sabem dizer se sobrou dinheiro ou quanto sobrou. A DRE, o Demonstrativo do Resultado do Exercício, é o relatório que responde a essa pergunta de forma organizada.
O que é a DRE
A DRE mostra, para um período, o caminho do dinheiro desde a receita das vendas até o lucro ou prejuízo final. Ela é montada em degraus: parte do total vendido e vai descontando impostos, custos e despesas até chegar ao resultado líquido.
A DRE contábil é elaborada pelo contador seguindo as normas. A DRE gerencial, que o próprio sistema da loja gera a partir das vendas e despesas lançadas, é a versão para tomar decisão no dia a dia. As duas conversam, mas a gerencial pode ser consultada a qualquer momento, no mês que ainda está correndo.
Receita, custo e despesa
Para ler a DRE, é importante separar três conceitos:
- Receita bruta: o total das vendas no período.
- Deduções: impostos sobre as vendas, devoluções e cancelamentos. A receita bruta menos as deduções é a receita líquida.
- Custo das mercadorias vendidas: quanto custaram os produtos que saíram da loja. A receita líquida menos esse custo é o lucro bruto.
- Despesas operacionais: aluguel, salários, energia, sistema, contador, taxas de cartão, marketing. Elas não variam diretamente com cada venda.
- Resultado líquido: o que sobra depois de todas as despesas. É o lucro ou o prejuízo do período.
Um erro frequente é misturar compra de mercadoria com custo. Comprar R$ 30 mil em estoque no mês não significa que o custo do mês foi R$ 30 mil. O custo é o valor das mercadorias que foram vendidas. O que ficou na prateleira continua sendo estoque.
Margem de contribuição
Entre o lucro bruto e o resultado líquido existe um indicador muito útil para o pequeno varejo: a margem de contribuição. Ela é o que cada venda deixa para pagar as despesas fixas, depois de descontados o custo do produto e as despesas variáveis, como impostos sobre a venda, taxas de cartão e comissões.
Com a margem de contribuição em mãos, você calcula o ponto de equilíbrio: o faturamento mínimo para cobrir as despesas fixas. Se a loja tem R$ 18 mil de despesas fixas e margem de contribuição de 30%, precisa vender R$ 60 mil no mês só para empatar. Tudo o que passar disso começa a virar lucro.
Um exemplo simplificado
Imagine uma loja com R$ 80 mil de vendas no mês:
- Receita bruta: R$ 80.000.
- Impostos e devoluções: R$ 6.000. Receita líquida: R$ 74.000.
- Custo das mercadorias vendidas: R$ 44.000. Lucro bruto: R$ 30.000.
- Taxas de cartão e comissões: R$ 3.500.
- Despesas fixas: R$ 22.000.
- Resultado líquido: R$ 4.500.
Olhando só o caixa, esse dono veria R$ 80 mil entrando e sentiria que o mês foi ótimo. A DRE mostra que sobraram R$ 4.500, ou pouco mais de 5% das vendas, e aponta onde agir.
Decisões que a DRE ajuda a tomar
- Preço: se o lucro bruto está baixo, talvez o preço não acompanhe o aumento de custo dos fornecedores.
- Mix de produtos: produtos que vendem muito mas deixam pouca margem podem estar ocupando espaço de itens mais rentáveis.
- Despesas: a comparação mês a mês mostra despesas que cresceram sem ninguém perceber.
- Meios de pagamento: o peso das taxas de cartão aparece com clareza e ajuda na negociação com as credenciadoras.
- Retirada dos sócios: saber o resultado real evita retirar mais do que a empresa gera.
O que a DRE precisa para ser confiável
A DRE é tão boa quanto os lançamentos que a alimentam. Três cuidados fazem diferença:
- Cadastrar o custo correto dos produtos, atualizado a cada entrada de nota.
- Lançar todas as despesas no sistema, classificadas em categorias fixas.
- Separar as contas da empresa das contas pessoais dos sócios.
Na prática, com o sistema
No SGE, a DRE gerencial é gerada a partir das vendas, do custo dos produtos e das despesas lançadas no financeiro. Você escolhe o período, vê receita, custos, despesas e lucro líquido, e imprime de forma resumida ou detalhada para levar para a reunião com o contador. É a forma mais rápida de responder, todo mês, à pergunta que importa: a loja está dando lucro de verdade?


